quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

E para finalizar este ano...Receita de Ano Novo



Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido

(mal vivido ou talvez sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,

novo

até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto da esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade

Poema de "Dezembro" - Carlos Drummond de Andrade



Quem me acode à cabeça e

ao coração

neste fim de ano, entre

alegria e dor?

Que sonho, que mistério,

que oração?

Amor.
(Dezembro de 1985)


Só o amor constrói um ano feliz, uma vida feliz...

Poema de "Dezembro" - Carlos Drummond de Andrade



Procuro uma alegria

uma mala vazia

do final de ano

e eis que tenho na mão

- flor do cotidiano -

é vôo de um pássaro

é uma canção.
(Dezembro de 1968)



Agradeço a todos que visitaram meu blog e o utilizaram da melhor forma possível, ajudando a popularizar a Literatura pelo Brasil...que 2010 venha e traga muitas alegrias!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Missa do Galo - Machado de Assis


No conto de Machado de Assis, um homem relembra um episódio confuso e misterioso do seu passado.Contando dezassete anos, eloe ficou hospedado na noite de Natal na casa no escrivão Meneses, casado pela primeira vez com uma falecida prima do jovem hóspede.
Meneses contraiu segundas núpcias com Conceição, que contava trinta anos quando hospedou o jovem. Conceição era chamada de "Santa" e seu comportamento era mesmo de um ser superior, pois, suportava os esquecimentos e traições do marido resignadamente.
Naquela noite de Natal, Sr. Nogueira (era este o nome do protagonista) resolveu ir à missa do galo da Corte e como a família toda deitasse cedo (menos o escrivão Meneses que havia ido ao tetaro, um eufemismo para seus encontros com sua recente amante), resolveu ler um pouco, o romance escolhido foi "Os Três Mosqueteiros" de Alexandre Dumas.
Conceição surge na sala onde Nogueira esperava, de chinelos e roupão branco...ela sentou-se ao lado do jovem e começaram a conversar sobre romance e outros temas...durante esta conversa, Machado de Assis utiliza toda a sutileza possível para descrever os sentimentos do jovem de dezessete anos que não conseguia decifrar ao certo se as atitudes da senhora respeitável para com ele eram de sedução ou pura imaginação sua.
Cada olhar, cada gesto, cada mudança de posição fazia com que o coração do jovem adolescente ficasse dividido, pensando se era ou não um jogo de sedução proposto por Conceição. Durante a missa, a imagem da bela senhora esteve em vários momentos entre Nogueira e o Padre e na manhã seguinte, os gestos de Conceição eram os mais naturais possíveis, não lembrando em nada, a mulher misteriosa da noite de Natal.
Um acontecimento como este marcou a vida daquele jovem, mesmo que não houvesse acontecido nada de concreto...nenhum beijo, nenhum toque. A espera do rapaz para assistir a Missa do Galo, divide o conto entre o profano e o sagrado...a espera do sagrado, o jovem conhece pela primeira vez os sentimentos profanos, esta é uma característica realista da obra. Machado de Assis utiliza a sensualidade de forma sutil, subjetiva. Ele foi um severo crítico da forma como o português Eça de Queirós utilizava a sensualidade de forma clara e objetiva nos seus romances.
Com certeza, este conto é mais uma obra-prima da obra do mestre Machado de Assis.




Soneto de Natal - Machado de Assis


Soneto de Natal


Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,


Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.


Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.


E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"



O espírito natalino que muda com o passar do tempo e com a revoluções da sociedade já foi tema de conto de Charles Dickens e não escapou da inspiração do mestre Machado de Assis. Neste soneto extraído do livro "Poesias Completas - Ocidentais", 1901, pág. s/nº, o Velho Bruxo apresenta um homem perplexo com a falta de inspiração ao tentar compôr alguns versos natalinos...surge a questão: "Mudaria o Natal ou mudei eu?"...afinal de contas, nós transformamos o Natal em uma data comercial e materialista e perdemos o sentido cristão antigo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Separados por um Muro

Este é um trabalho de dois alunos do terceiro ano da turma B do período noturno do Colégio Estadual Adelaide Glaser Ross, situado na cidade de Nova Fátima. Eu leciono Língua Portuguesa neste colégio e por ocasião das comemorações de 20 anos da queda do muro de Berlim, apresentei uma proposta de narrativa: um texto no qual os personagens seriam amantes e estariam separados pelo muro.
Este texto merece destaque e por isso resolvi postá-lo. Os autores são Luiz Carlos e Marcos Vinicios.
Separados por um muro.
Os policiais corriam atrás de nós, no começo achávamos graça, coisa de adolescente.
Eu sei que era eu que deveria estar no lugar dela.
Estávamos SEPA
RADOS
por longos c i n c o anos.
As lembranças e a esperança de nos reencontrarmos alimentava essa nossa amizade. Amizade?
As noites em que passávamos juntos em meu apartamento, as conversas, os filmes, adorávamos Alfred Hitchcock.
Meus pensamentos voavam do outro lado do muro, queriam saber se ela estava bem, se sentia saudade de mim, de nós.
Seria o destino, ou o destino é apenas uma desculpa tola para não fazer absolutamente nada como o nosso futuro?
Quando anunciaram os noticiários:
QUEDA DO MURO DE BERLIM.
Eu estava decidido à ir atrás dela. Eu poderia não tê-la perdido?
Começava a minha procura pelos confins desse mundo ex-dividido por uma ideologia política.
Luiz Carlos
Marcos Vinicios

sábado, 5 de dezembro de 2009

Os teus olhos - Ferreira Gullar

Os teus olhos

O céu azul, não era
Dessa cor, antigamente;
Era branco como um lírio,
Ou como estrela cadente.

Um dia, fez Deus uns olhos
Tão azuis como esses teus,
Que olharam admirados
A taça branca dos céus.

Quando sentiu esse olhar:
“Que doçura, que primor!”
Disse o céu, e ciumento,
Tornou-se da mesma cor!


Pode parecer simples, mas este poema é uma Ode ao amor imaculado, que vê a beleza presente nos olhos do amante, que acredita que o céu, gigante infinito celeste, tem esta bela cor porque invejou o azul dos olhos amantes.Um poema contemporâneo que remete a um romantismo lírico.

A carta que não foi mandada - Vinícius de Moraes


A carta que não foi mandada


Paris, outono de 73

Estou no nosso bar mais uma vez

E escrevo pra dizer

Que é a mesma taça e a mesma luz

Brilhando no champanhe em vários tons azuis

No espelho em frente eu sou mais um freguês

Um homem que já foi feliz, talvez

E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor

Saudades, certamente, de algum grande amor



Mas ao vê-lo assim tão triste e só

Sou eu que estou chorando

Lágrimas iguais

E, a vida é assim, o tempo passa

E fica relembrando

Canções do amor demais

Sim, será mais um, mais um qualquer

Que vem de vez em quando

E olha para trás

É, existe sempre uma mulher

Pra se ficar pensando

Nem sei... nem lembro mais



Há poemas que são muito visuais. Quem lê este poema do Poetinha, com tema sentimental, não pode livrar-se da imagem do homem sentado num bar em Paris pensando na amada...o leitor começa então, a imaginar detalhes daquela estória de amor mal sucedida. Porque eles estão separados? Seria um fator político, histórico ou social? Uma guerra por exemplo. A guerra que separa amantes e destrói sonhos de amor construídos durante seu decorrer...ou a separação seria por culpa de uma fraqueza de um dos lados? Um adultério numa noite qualquer, uma palavra mal dita, um ciúme antigo...seria um desgaste natural da relação? Disso Vinícius de Moraes entendia muito bem, já que é sabido por todos os inúmeros casamentos e as inúmeras mulheres que passaram pela vida do poeta.
A imaginação do leitor viaja por uma imagem criada neste poema que parece simples, mas apresenta uma estória de amor escondida naquela cena...precisamente no outono de 73. O outono é a estação na qual as folhas caem, a beleza trazida pelas flores da primavera se foi e isso é uma simbologia aos dias felizes que precederam aquela situação pela qual o amante está passando: sozinho num bar, recordando o passado, pensando numa mulher que não está presente. Um homem que não reconhece mais a sua imagem em frente ao espelho.
O poetinha cria a imagem do apaixonado desiludido, bebendo e tentando esquecer a decepção amorosa.


A dimensão política da Literatura Comparada Latino-Americana em sua relação com as literaturas dos “centros” culturais.

Os primeiros teóricos da Literatura Comparada acreditavam que existia uma fonte de onde todas as outras Literaturas tiravam a sua inspiração. Sendo assim, a fonte seria a Europa, com sua cultura antiga e sua Literatura já consagrada. A Literatura Latino-Americana, na sua condição colonial, seria uma imitação do que já foi feito nos países europeus.
Com o passar do tempo, outras teorias apareceram, entre elas a de que as obras do presente poderiam ser a fonte de obras do passado, já que as comparando percebemos características nas obras antigas que não havíamos percebido antes, sem as novas leituras.
Pegando como exemplo a Literatura brasileira, percebemos que em alguns momentos, Romantismo, por exemplo, houve uma tentativa de nacionalização da Literatura, devido a fatos históricos criou-se um horror ao que era proveniente de Portugal. Sendo assim, procurou-se fazer uma Literatura que exaltava as belezas brasileiras, mas para isto, usavam-se os modelos europeus.
Com o Modernismo, a idéia do Antropofagismo veio à tona e propôs-se que nós usurpássemos aquilo de bom que existia na Literatura européia, acabando desta forma, com a idéia de que a Literatura Brasileira por ser atual, era mera cópia da Portuguesa e das outras grandes Literaturas européias.

domingo, 15 de novembro de 2009

Escritores e a Bíblia



Muitos escritores se valem de temas bíblicos. É natural, pois a Bíblia possui todo tipo de estórias: dramas, romances, guerra, superação...o português José Saramago, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, embora ateu, se valeu do Antigo e do Novo Testamento para a construção de dois dos seus romances; o romance "Evangelho segundo Jesus Cristo" trata da história mais famosa conhecida pela humanidade pelo ângulo do protagonista Jesus Cristo. É óbvio que José Saramago procurou mostrar os conflitos humanos de Jesus acima dos conflitos divinos. Recentemente, o escritor português publicou "Caim", que mostra a visão do irmão "mau" sobre fatos do Antigo Testamento.

Machado de Assis também foi até a Bíblia buscar inspiração para o romance "Esaú e Jacó". Embora os nomes dos gêmeos protagonistas sejam Paulo e Pedro, o enredo sobre a rivalidade entre os dois irmãos tem inspiração clara na estória dos filhos gêmeos de Isaac, que, assim como Pedro e Paulo, eram opostos desde dentro da barriga da mãe. Rebeca, esposa de Isaac, sentia que os filhos seriam rivais quando os sentia brigar dentro de seu ventre. Quando Natividade, vai até uma cartomante perguntar porque seus filhos brigam desde bebês, ela fica sabendo que seus filhos não se entendiam dentro de sua barriga, portanto, estavam destinados a rivalidade.

O grande poeta português Luís Vaz de Camões utilizou a romântica estória de amor entre Jacó e Raquel para compôr um belo soneto clássico.







Sete anos de pastor Jacob servia




Sete anos de pastor Jacob servia


Labão, pai de Raquel, serrana bela;


Mas não servia ao pai, servia a ela,


E a ela só por prémio pretendia.





Os dias, na esperança de um só dia,


Passava, contentando-se com vê-la;


Porém o pai, usando de cautela,


Em lugar de Raquel lhe dava Lia.





Vendo o triste pastor que com enganos


Lhe fora assi negada a sua pastora,


Como se a não tivera merecida;





Começa de servir outros sete anos,


Dizendo – Mais servira, se não fora


Para tão longo amor tão curta a vida.






Jacó (no poema Jacob) aparece como um homem apaixonado que faz tudo pelo amor da filha mais nova de Labão, a bela Raquel. Servindo sete anos o pai da amada, ele sabe que está servindo a ela, pois chegaria o dia em que poderiam viver seu grande amor. Jacó não percebia que Labão usava de cautela para com ele, pois, no dia do casamento, ele oferece a mais velha Lia no lugar da noiva prometida. Jacó entende então, que a filha mais velha deveria se casar antes da mais nova e portanto, tem que servir outros sete anos para finalmente, ter direito a sua amada.






sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ao coração que sofre - Olavo Bilac

Ao coração que sofre

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.


O Movimento literário conhecido como Parnasianismo, cultivava a "arte pela arte", a forma perfeita, temas clássicos e amorosos...a perfeição outrora reverenciada pelos gregos nas suas belas esculturas, ganhou vida novamente através dos poemas Parnasianos. Como se preocupava muito com a beleza, é natural que o poeta parnasiano não se preocupasse em cultivar o amor espiritual que os românticos tanto vivificaram...inúmeros poemas eróticos, enaltecendo as formas perfeitas da amada, compõe parte da produção Parnasiana.
O "Príncipe dos Poetas" brasileiros, Olavo Bilac, foi sem dúvida, o mais popular entre os Parnasianos. Naturalmente, pois, sua obra é permeada de temas sentimentais, que sempre se tornam mais populares entre os leitores, já que o amor é um tema recorrente e universal.
No soneto "Ao coração que sofre", Bilac, já na primeira estrofe, anuncia que seu amor não é apenas inocente e espiritual, já que sofre por ter o coração separado da amada e afirma que não basta o simples e sagrado.
Não basta apenas saber-se amado, é preciso sentir-se amado, tocar o corpo da mulher amada, ver este amor acontecer.
O amante ainda afirma que tais desejos não o envergonham, pelo contrário, ele sente que a verdadeira baixeza é trocar a Terra pelo Céu, conceito oposto ao dos românticos (principalmente da geração do mal do século), que acreditavam que o verdadeiro sentimento não precisa consumar-se aqui na Terra, mas sim, na pureza dos céus...para os românticos a mulher era um anjo, para os parnasianos era uma fonte de desejos.
A última estrofe deixa claro a posição antropocentrista Parnasiana, já que o poeta afirma que o coração do homem é elevado permanecendo do homem, obedecendo assim, seus instintos naturais humanos. Há pureza no amor carnal também, segundo Bilac, e o homem deve humanamente amar e não tentar ser anjo ou Deus.

sábado, 7 de novembro de 2009

O Homem Bicentenário


Este filme conta com a atuação de Robin Willians no papel de um robô que acompanha a trajetória de uma família desde 2005 passando por quase duzentos anos de história.
Relata com muita sensibilidade a mecanização das relações, numa sociedade onde robôs são programados para servir os seres humanos.
O personagem principal se destaca por nutrir sentimentos que ficam cada vez mais profundos até que ele se transforma praticamente num ser humano também. Ele se apaixona e cultiva sentimentos como o ciúme, por exemplo.
O filme é mais do que uma história romântica sobre um grande amor que vence as diferenças. É uma inversão dos valores modernos. Enquanto a modernidade e a tecnologia pregam a mecanização do homem e das relações humanas, o filme apresenta um robô que quer ser humano, não apenas aparentemente, mas também, emocionalmente. O velho robô, destinado ao lixo, é mantido pelo dono, que concede a ele liberdade para abrir sua mente através da leitura, este é um bom argumento para ser usado com pessoas que não gostam de ler, pois, o ser mecânico só consegue se livrar da escravidão que sua condição impõe, através do seu conhecimento, pois, a sabedoria aliada ao amor, o tornam humano, masi humano até do que muitos homens e mulheres nascidos na condição humana.

Modernismo (contexto histórico)


Após os governos militares do início da República, os senhores rurais retornavam ao poder, fortalecidos então pela vigorosa economia do café, que girava em torno do eixo São Paulo - Minas Gerais. A partir do governo de Campos Sales (1.898 - 1.902), foi instituída "Política dos Governadores", ou seja, os governadores apoiavam o governo federal e este apoiava os governos Estaduais. Essa situação acabou gerando as oligarquias, ou seja. Família ou grupos políticos que se perpetuavam no poder. No cenário nacional, os presidentes passavam a ser eleitos ora por São Paulo ora por Minas Gerais, resultando na famosa política do café-com-leite, que perdurou até 1.930. Por outro lado, as principais cidades brasileiras, em particular a cidade de São Paulo conheceram uma rápida transformação como decorrência do processo industrial. Foi a primeira guerra mundial (1.914 - 1.918) a responsável pelo surto de industrialização e conseqüente urbanização: 1.907 contávamos 3.358 indústrias no Brasil; 1.920 esse número chegou a 13.336. Isso significou o surgimento de uma burguesia industrial cada dia mais forte, mas marginalizada pela política econômica do governo Federal voltada para produção e exportação do café. Ao mesmo tempo, aumentava consideravelmente o número de imigrantes Europeus (notadamente Italianos) que se dirigiam para a região economicamente prospera, seja a zona rural onde havia o café, seja a zona urbana onde estavam as indústrias. No período de 1.903 a 1.914, o Brasil recebeu cerca de 1,5 milhões de imigrantes. Nos centro urbanos existia ainda uma larga faixa da população pressionada, por cima, pelos barões do café e pela alta burguesia, e por baixo pelo operariado, era a pequena burguesia de caráter reivindicatório formada entre outros por funcionários públicos, comerciantes, militares e profissionais liberais. Como se percebe era um Brasil dividido entre o urbano e o rural. Mas o bloco urbano não era homogêneo, pelo contrario, o operariado urbano de origem européia traziam uma experiência de lutas de classe: eram trabalhadores, em sua maioria anarquistas, que se organizavam e publicavam jornais como La Battaglia, que circulou em São Paulo entre 1.901 a 1.911, e a Terra livre, também paulista que circulou entre 1.905 a 1.910. Como conseqüência, São Paulo assistiu a greves em 1.905, 1.907 e, a mais importante delas em 1.917. A partir de 1.918, tornaram cada vez mais comum na imprensa artigos a respeito da revolução russa de 1.917. O partido comunista seria fundado em 1.922 e desde então diminuiria a influência anarquista sobre o movimento operário. Assim poderíamos encontrar pela cidade de São Paulo, andando na mesma calçada do bairro dos Campos Elisios, um "barão do café”, um operário anarquista, um padre, um burguês, um nordestino, um professor, um negro, um comerciante, um comerciante, um advogado, um militar..., realmente uma "Paulicéia Desvairada", palco ideal para a realização de um evento que mostrasse uma arte inovadora a romper com velhas estruturas. Mário de Andrade em sua já citada conferência afirmava: "São Paulo era espiritualmente muito mais moderna, porém fruto necessário da economia do café e do industrialismo conseqüente. São Paulo estava, ao mesmo tempo, pela sua atualidade comercial e sua industrialização em contato mais espiritual e mais técnico com a atualidade do mundo". Confirmando o fato de que, desde sua origem, a Semana apresentou um lado político de ataque à aristocracia e à burguesia, assim se pronuncia Di Cavalcanti- que parece ter sido o primeiro a sugerir a realização de uma mostra modernista- em seu livro de memórias: "Eu sugeri a Paulo Prado a nossa Semana, que seria uma Semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulistana".

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Depois da Guerra - Vinicius de Moraes


Depois da Guerra
Vinicius de Moraes

Depois da Guerra vão nascer lírios nas pedras, grandes lírios cor de sangue, belas rosas desmaiadas. Depois da Guerra vai haver fertilidade, vai haver natalidade, vai haver felicidade. Depois da Guerra, ah meu Deus, depois da Guerra, como eu vou tirar a forra de um jejum longo de farra! Depois da Guerra vai-se andar só de automóvel, atulhado de morenas todas vestidas de short. Depois da Guerra, que porção de preconceitos vão se acabar de repente com respeito à castidade! Moças saudáveis serão vistas pelas praias, mamães de futuros gêmeos, futuros gênios da pátria. Depois da Guerra, ninguém bebe mais bebida que não tenha um bocadinho de matéria alcoolizante. A coca-cola será relegada ao olvido, cachaça e cerveja muita, que é bom pra alegrar a vida! Depois da Guerra não se fará mais a barba, gravata só pra museu, pés descalços, braços nus. Depois da Guerra, acabou burocracia, não haverá mais despachos, não se assina mais o ponto. Branco no preto, preto e branco no amarelo, no meio uma fita de ouro gravada com o nome dela. Depois da Guerra ninguém corta mais as unhas, que elas já nascem cortadas para o resto da existência. Depois da Guerra não se vai mais ao dentista, nunca mais motor no nervo, nunca mais dente postiço. Vai haver cálcio, vitamina e extrato hepático correndo nos chafarizes pelas ruas da Cidade. Depois da Guerra não haverá mais Cassinos, não haverá mais Lídices, não haverá mais Guernicas. Depois da Guerra vão voltar os bons tempinhos do carnaval carioca com muito confete, entrudo e briga. Depois da Guerra, pirulim, depois da Guerra, vai surgir um sociólogo de espantar Gilberto Freyre. Vai se estudar cada coisa mais gozada, por exemplo, a relaÇão entre o Cosmos e a mulata. Grandes poetas farão grandes epopéias, que deixarão no chinelo Camões, Dante e Itararé. Depois da Guerra, meu amigo Graciliano pode tirar os chinelos e ir dormir a sua sesta. Os romancistas viverão só de estipêndios, trabalhando sossegados numa casa na montanha. Depois da Guerra vai-se tirar muito mofo de homens padronizados pra fazer penicilina. Depois da Guerra não haverá mais tristeza: todo o mundo se abraçando num geral desarmamento. Chega francês, bate nas costas do inglês, que convida o italiano para um chope no Alemão. Depois da Guerra, pirulim, depois da Guerra, as mulheres andarão perfeitamente à vontade. Ninguém dirá a expressão "mulher perdida", que serão todas achadas sem mais banca, sem mais briga. Depois da Guerra vão se abrir todas as burras, quem estiver mal de cintura, faz logo um requerimento. Os operários irão ao Bife de Ouro, comerão somente o bife, que ouro não é comestível. Gentes vestindo macacões de fecho zíper dançarão seu jiterburgue em plena Copacabana. Bandas de música voltarão para os coretos, o povo se divertindo no remelexo do samba. E quanto samba, quanta doce melodia, para a alegria da massa comendo cachorro-quente! O poeta Schmidt voltará à poesia, de que anda desencantado e escreverá grandes livros. Quem quiser ver o poeta Carlos criando, ligará a televisão, lá está ele, que homem magro! Manuel Bandeira dará aula em praça pública, sua voz seca soando num bruto de um megafone. Murilo Mendes ganhará um autogiro, trará mensagens de Vênus, ensinando o povo a amar. Aníbal Machado estará são como um perro, numa tal atividade que Einstein rasga seu livro. Lá no planalto os negros nossos irmãos voltarão para os seus clubes de que foram escorraçados por lojistas da Direita (rua). Ah, quem me dera que essa Guerra logo acabe e os homens criem juízo e aprendam a viver a vida. No meio tempo, vamos dando tempo ao tempo, tomando nosso chopinho, trabalhando pra família. Se cada um ficar quieto no seu canto, fazendo as coisas certinho, sem aturar desaforo; se cada um tomar vergonha na cara, for pra guerra, for pra fila com vontade e paciência — não é possível! esse negócio melhora, porque ou muito me engano, ou tudo isso não passa de um grande, de um doloroso, de um atroz mal-entendido!
(Maio de 1944)



Vinicius de Moraes nos conta seu sonho para o Brasil quando a Segunda Guerra terminasse... a tempestade precede dias de sol. O Poetinha não ficou completamente feliz, já que a total perfeição em nossa pátria ainda é uma utopia... hoje, entre uma guerra e outra, os homens continuam mesmo tomando um chopinho e trabalhando para a família, esperando que este mal-entendido acabe e seu fim traga a paz plena e verdadeira. Grande engano.Os homens não devem esperar que a Guerra traga a paz, isto é uma ilusão de governos que precisam de uma razão para lutar pelos seus próprios interesses.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Moradora de Wildfell Hall - Anne Brontë


Quando Anne Brontë publicou no ano de 1848 o romance "A Moradora de Wildfell Hall" sob o pseudônimo de Acton Bell, a sociedade puritana inglesa o julgou inapropriado para o público feminino. Mal sabiam que a responsável pela obra era uma jovem do campo, de sáude frágil, não destinada a viver por muito tempo.
Considerado um dos primeiros livros a denunciar a submissão feminina na sociedade inglesa, o romance apresenta um novo posicionamento da mulher em relação ao homem, pois, para Anne Brontë, a mulher deveria ser dona do seu próprio destino. Pode parecer um tema banal nos dias atuais, mas para a época, foi um grande marco.
A protagonista Helen, mora com os tios e recusa vários pedidos de casamento, alguns vindos de verdadeiros cavalheiros, outros de homens com pouco valor moral. Sob protestos da tia, Helen se apaixona e se casa com Arthur Huntingdon, um jovem libertino e apreciador dos prazeres da vida. Helen, uma mulher religiosa, acredita que poderá através da sua força salvar o marido daquele mundo de vícios no qual ele vivia.
Tempos depois da união, Helen percebe que sua missão fica cada vez mais difícil, pois Arthur não abandona a vida sem regras, a justificando com uma espécie de carpe diem. Nem mesmo o nascimento do primeiro filho do casal serve para mudar as atitudes de Arthur.
Cada vez mais perdido no vício do álcool, Arthur chega ao ponto de trair a esposa dentro da própria propriedade do casal, com a esposa de um velho amigo seu.
Decidida a livrar-se da situação na qual vive, Helen arquiteta uma fuga com o filho e a velha governanta da casa, mas é frustrada por Arthur que descobre tudo.
Com a ajuda do irmão, Frederick, ela consegue enfim, livrar-se do casamento fracassado, fugindo com seu filho e sua fiel governanta para um local distante, precisamente, para a propriedade rural de Wildfell Hall.
A população local não aceita bem o fato daquela mulher misteriosa morar na velha casa abandonada e logo Helen se vê cercada por boatos sobre seu caráter e sua reputação.
Apenas Gilbert Markham, um jovem fazendeiro vizinho, tem simpatia pela nova moradora da região. Depois de conviver algum tempo com Helen, ele apaixona-se perdidamente, cercado a amada de propostas.
Anne Brontë possuía convicções religiosas e sendo filha de um pastor anglicano, nuca permitiria que sua heroína cometesse um adultério. Este é o ponto que dá ao romance a dosagem certa entre o escândalo e o libero feminista.
Mesmo com um marido tirano e infiel, Helen rejeita os carinhos de Markham e depois que ele descobre todos os segredos de Helen, ela chega a dizer que o amor dos dois só será possível no céu, pois enquanto seu marido viver, ela não poderá se entregar a outro homem.
Depois de algum tempo de fuga, Helen descobre que seu marido está doente, uma doença que é fruto dos vícios que ele cultivava. Prontamente, ela volta à sua antiga casa e cuida de Arthur até o dia da sua morte, tentando até o último momento convertê-lo daquele comportamento pervertido. As ações de Helen são em vão, pois, Arthur morre sem que a esposa consiga sua conversão.
Mais de um ano depois de ficar viúva, Helen encontra-se novamente com Markham e, numa atitude muito ousada para a época, deixa claro que gostaria de passar o resto da vida ao lado dele.
O casamento próspero que a jovem viúva consegue, é um prêmio por sua luta e pela sua honestidade que manteve...um verdadeiro romance feminista da Era Vitoriana.

sábado, 31 de outubro de 2009

O primeiro beijo - Clarice Lispector


Ao ler o título deste conto, o leitor tem reações adversas...o nome parece adolescente, mas é um conto de Clarice Lispector! A escritora intensa, apaixonante, "adulta". Clarice Lispector deixou bem claro neste conto, que os jovens têm direito a leitura de boa qualidade mesmo com temas simples ou da sua fase de vida.
O jovem casal de namorados está vivendo um momento único: o primeiro beijo. Como em muitos relacionamentos, surge um sentimento de posse e a namorada quer saber se foi também a primeira boca beijada pelo amado; muitas vezes, as pessoas exigem do parceiro aquilo que ela está entregando.
Para recordar a sua primeira experiência o namorado recorre a um recurso literário muito interessante, o Flashback, a volta ao passado. Numa tarde de viagem com a turma da escola, a janela aberta do ônibus permitia que uma brisa leve tocasse seu rosto, penetrasse em seus cabelos como se fossem dedos de uma mãe. Aquele "carinho" do vento aos poucos seca a boca do rapaz, que sente a vida se esvaindo junto com a água que perde. Nada mais sensual do que usar o vento como representação do sexo e a água como símbolo da vida.
Já quase morto de sede, uma sede subjetiva, não apenas física, o jovem encontra a salvação quando durante uma parada do ônibus, vê no meio de uma praça um chafariz que jorra água pela boca.
Correndo mais do que qualquer outro, ele cola sua boca à boca da estátua feminina e recupera aos poucos a "vida" que lhe fora tirada pelo vento que secou sua boca. A partir deste momento, várias interpretações são permitidas, inclusive a perda da inocência, justificada pelas definições do rapaz da sua vergonha e das mudanças ocorridas no seu corpo naquele momento intenso.
Ao constatar que "se tornara homem" o adolescente descobre que o amor transforma um menino em um homem de verdade.
Mais do que uma narrativa sobre um beijo primeiro, Clarice Lispector brinda o leitor com um conto que define o conceito de boa literatura para qualquer idade e para qualquer geração, já que o que ultrapassa as barreiras do tempo se torna clássico e, portanto, imortal.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cazuza


Este texto é de autoria da Professora Maria Aparecida Miguel. Professora universitária na UENP de Cornélio Procópio, a professora Maria Aparecida Miguel (Cidinha, carinhosamente chamada pelos alunos), tem conhecimentos diversificados, entre eles, da cultura Rock e Pop brasileira.






"EU NUNCA ME ESQUECEREI QUE A NORMALIDADE É UMA ILUSÃO IMBECIL". (OSCAR WILDE)





OUTRO DIA RECEBI UM EMAIL DENOMINADO: “A MORTE DE UM IDIOTA” E FIQUEI CURIOSA. LI, PORQUE LEIO TUDO QUE VEM PARAR NA MINHA MÃO, ATÉ BULA DE REMÉDIO, ENTÃO EU LI O TEXTO, QUE ERA NO CASO UM EMAIL SOBRE O FILME CAZUZA, OU SEJA CAZUZA, O FILME.ACHEI O TEXTO PRECONCEITUOSO, NO MÍNIMO, POIS TRATAVA O FILME COMO UM ATO TOTAL PERVERSÃO DOS VALORES, E ME PERGUNTEI:QUE PAÍS E ESSE? ONDE AS PESSOAS AINDA PENSAM ASSIM, QUE PAÍS E ESSE, RENATO RUSSO?ADORO AS MÚSICAS DO CAZUZA ALIÁS, ESTOU OUVINDO UMA AGORA CHAMADA: CODNOME BEIJA-FLOR. BEM MAS O TEXTO DIZIA ENTRE OUTRAS COISAS QUE O CANTOR ERA UM MAL EXEMPLO, E O QUALIFICAVA COMO TRAFICANTE. SE ELE ERA BANDIDO OU NÃO, ISTO CABIA À JUSTIÇA, MAS COMO ESTA, SEMPRE É CEGA, PRODUTO DESTE MESMO PENSAMENTO BURGUÊS, QUE ORA, CONDENA O FILME. ESTA FACE DO CANTOR NÓS NÃO CONHECEMOS E, SINCERAMENTE, NÃO ME FEZ FALTA ALGUMA CONHECER.MELHOR DO QUE INVESTIGAR A VIDA DO ARTISTA, COMO A AUTORA DO EMAIL PROPUNHA, É SABOREAR AS MÚSICAS QUE O BARÃO VERMELHO PRODUZIA, E QUEM ERAM ÊXTASE PURO. OS ADOLESCENTES DA ATUALIDADE OUVEM O ROCK NACIONAL DA DÉCADA DE OITENTA E GOSTAM, E OS ADULTOS ÍDEM. ARTE É ARTE, E A ARTE NÃO MORRE, PORQUE ESTÁ NA ESSÊNCIA DO SER HUMANO. PARAFRASEANDO OS TITÃS, SÓ PARA NÃO ESQUECER O MATERIAL DE QUE É FEITO O ROCK: MAGIA E ENCANTO PUROS, PARA NÃO ESQUECER OS POLÊMICOS ROQUEIROS “A GENTE QUER COMIDA, DIVERSÃO E ARTE, A GENTE QUER INTEIRO E NÃO PELA METADE”. A GENTE QUER O CAZUZA, COM FILME, SEM FILME ALIÁS, A PELÍCULA NÃO MUDA NADA.AOS ADMIRADORES IMPORTA A MÚSICA DO CAZUZA QUE É BOA.OS ROQUEIROS ERAM E TODOS SABEM, QUASE TODOS USUÁRIOS DE DROGAS E ISTO, A MÍDIA NUNCA POUPOU, NOS SEUS ATAQUES DE SENSACIONALISMO, PRINCIPALMENTE QUANDO UMA ASTRO MORRE. A MAIORIA ERA DELES ERA HOMOSSSEXUAL E A SEXUALIDADE DESTES TAMBÉM NÃO NOS INTERESSA OU SEJA, ISTO NÃO VEM AO CASO SE DISCUTIMOS MÚSICA, ELES PRODUZIAM UM SOM DE QUALIDADE, NO ENTANTO, O TEXTO EM VOGA PARECE-ME PRECONCEITUOSO, A PONTO DE INSINUAR NAS SUAS ENTRELINHAS, QUE QUESTÕES COMO ESTAS NÃO DEVEM SER ABORDADAS. NO EMAIL EM QUESTÃO, SÓ É CERTO O QUE, NA VISÃO DA EUFÓRICA SENHORA, O QUE SEJA CONVENCIONAL, TREMENDA QUADRADA MESMO, PARA FALAR A BOA LÍNGUA CORRENTE, QUE TODO MUNDO FALA E SE ENTENDE MUITO BEM.ADORO RAUL SEIXAS, BARÃO VERMELHO( CAZUZA) , PARALAMAS DO ( SUCESSO ( HERBERT VIANA), LEGIÃO URBANA, CAPITAL INICIAL, IRA, ( MARAVILHOSA VOZ DO NAZI, DIGA SE DE PASSAGEM, E TODO ESTE PESSOAL DA DÉCADA DE 80.GOSTO DE GUNS N' ROSES, QUEEN (FRED MERCURY), THE DOORS (JIM MORRISON ) BEATLES (JOHN LENNON), ELVIS PRESLEY, ETC. TODOS NA MAIORIA ESMAGADORA ERAM CONSUMIDORES DE DROGAS, MORRERAM COMO DISSE O CAZUZA DE OVERDOSE, OU MORRERAM DE AIDS, QUE FOI A DOENÇA DA DÉCADA, MAS EU CREIO QUE QUEM OS MATOU DE FATO FOI O PRECONCEITO DE UMA SOCIEDADE EM QUE NÃO PODIA SE PRONUNCIAR A PALAVRA "SEXO", FRUTO DE UM GOVERNO ARBITRÁRIO QUE EMUDECIA E ATROFIAVA O DESENVOLVIMENTO HUMANO E A LIVRE EXPRESSÃO DE IDÉIAS, POR MEIO DE UMA SENSURA QUE REDUZIA O BRASILEIRO A UM ANIMAL COM MEDO. O CAZUZA ERA UM DOIDO, MAS NÃO ERA MENTIROSO, O FILME NÃO TROUXE NADA DE NOVO, TODO MUNDO JÁ SABIA QUE O CAZUZA ERA GAY, QUE USAVA INTORPECENTES E BEBIA E DAI? MAS NO QUE ESTES DADOS IRRELEVANTES DA BIOGRAFIA DO ROQUEIRO SE RELACIONAM COM A FORMAÇÃO DO CIDADÃO? SERÁ QUE AO INVÉS DE JOGAR OS SOBRE OMBROS DO CAZUZA, QUE ALIÁS, NÃO PODE SE DEFENDER, OS PROBLEMAS DA NAÇÃO, NÃO SERIA MELHOR PREOCUPAR-SE COM O FUNDAMENTAL, QUE VAI BEM MAIS ALÉM DO QUE A DEFESA DOENTIA DA MORAL E DOS BONS COSTUMES.TRANSFERIR A RESPONSABILIDADE DOS PROBLEMAS DE SEGURANÇA NO PÁIS, COMO SE OS ROQUEIROS FOSSEM OS VILÕES DESTE QUADRO É TÃO ABSURDO QUANTO A CRENÇA DE QUE ESTES MESMOS ROQUEIROS ALIMENTAM-SE DE CRIANCINHASSAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA PÚBLICA SÃO QUESTÕES EMERGENCIAIS E NÃO COMPETE A ESTES ARTISTAS AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS. A ELES CABE Á CRÍTICA. POR FALAR NISTO, SAUDADE D0 TEMPO EM QUE O ROCK ERA INSTRUMENTO DE CRÍTICA. O QUADRO MUDOU MUITO.EU NASCI EM 1967, FUI ADOLESCENTE DURANTE A DÉCADA DE 80 E NÃO SOU UM "PERIGO PARA A SOCIEDADE", PELO MENOS NÃO QUE EU SAIBA AMEI E AMO O CAZUZA, E NEM POR ISTO ME TORNEI UMA USUÁRIA DE DROGAS ILÍCITAS, NUNCA FUI TRAFICANTE, TAMPOUCO PARTICIPO DE ORGIAS..HOJE EM DIA SOA COMO PRECONCEITUOSO DIZER QUE ESTES "HERÓIS" MORRERAM DE AIDS , PORQUE NÃO ESTÁ NA MODA ESTE DISCURSO,. HÁ VINTE ANOS ATRÁS ESTAVA . HOJE JÁ NÃO EXISTE GRUPO DE RISCO". A TELEVISÃO, ENQUANTO INSTRUMENTO DE CONSCIENTIZAÇÃO, É O MEIO MAIS RÁPIDO DE DIVULGAÇÃO DE ALGUMA IDÉIA . AS EMISSORAS DE TELEVISÃO LEVANTARAM A BANDEIRA CONTRA O PRECONCEITO QUE ATIRAVA O HOMOSSEXUALISMO Á MARGEM DAQUILO QUE ERA CONSIDERADO “NORMAL”. ATUALMENTE GRANDE PARTE DA POPULAÇÃO REAJE MELHOR A ESTA CIRCUNSTÂNCIA,OU SEJA, CONVIVE, ACEITA A IDÉIA , DIGO ACEITA PORQUE AOS POUCOS A SOCIEDADE TEM SE ACOSTUMADO COM ESTA “DIFERENÇA”. UMA NOVELA HÁ POUCO TEMPO ABORDOU O TEMA, NÃO SÓ NO TANGENTE AO HOMOSSEXUALISMO, BEM COMO DO BISSEXUALISMO, POR ISTO DIGO QUE O FOLHETIM MOSTROU UM CASAL CONSTITUÍDO POR TRÊS PESSOAS: UMA MULHER, UM HOMOSSEXUAL E UM HOMEM, QUE PELO CONTEXTO ERA BISSEXUAL.SABE DE UMA COISA TODO HOMOSSEXUAL MASCULINO É HOMEM, BOBAGEM DEBATER ESTE ASSUNTO “SER HOMEM É NASCER HOMEM, COM GENITÁLIA MASCULINA, E A PRIMEIRA COISA QUE TEMOS QUE APRENDER É ISTO. HOMOSSEXUAL É AQUELA PESSOA QUE SENTE DESEJO POR OUTRA PESSOA DO MESMO SEXO, CHAMAR O HOMOSSEXUAL DE “ELA” É QUE É PRECONCEITO, POIS CORRESPONDE A DIZER QUE UM ELEMENTO TEM O SEXO DIFERENTE DO OUTRO DENTRO DA PARCERIA, OU SEJA TRATA-SE DA CONVENCIONALIDADE BURGUESA A QUALQUER CUSTO O CAZUZA ASSUMIA ISTO, ERA GAY E PRONTO E QUE SE DANASSE, AS PISCINAS CHEIAS DE RATOS, A PISCINA DOS OUTROS, CLARO! A PISCINA DELE, OU SEJA A SUA VIDA FOI VIVIDA INTENSAMENTE.MAS, DIZER QUE UM JOVEM ASSISTIR A UM FILME VAI MUDAR SUA PERSONALIDADE É UM DISCURSO GASTO E DEMAGÓGICO.AO LER O EMAL PENSEI: NOSSA QUE ESTRESSADA E RIDÍCULA É ESTA MULHER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!QUE FALTA DE SENSO DE HUMOR.QUANTOS ANOS TEM ESTA MÚMIA, QUE NÃO VIVEU A TEMPO DE OUVIR “A MÚSICA URBANA” DO CAPITAL INICIAL, FAROESTE CABLOCO DO LEGIÃO, LOIRAS GELAS E ALVORAVA VORAZ DO RPM, PARA NÃO FALAR DOS TITÃS QUE CONTINUAM ATUALÍSSIMOS, E TANTAS OUTRAS BELEZAS, PRODUTO LEGÍTIMO DA ARTE,QUE ENCANTAM ATÉ HOJE, POIS ESTA NOVA GERAÇÃO, QUE É BEM MAIS FELIZ, PODE TIRAR A MÁSCARA E A MORDAÇA E DIZER NA BELA MÚSICA SERTANEJA QUE HOMEM TAMBÉM AMA, QUE SOFRE, QUE AS MULHERES SÃO RAINHAS, DEUSAS, QUE SOFREM POR SOLIDÃO E SAUDADE , QUE SE ARREPENDERAM DE NÃO TER AMADO MAIS.SÓ FALTA DAQUI A VINTE ANOS APARECER OUTRA MÚMIA DESTE CALIBRE, A TAL QUE NÃO GOSTA DO CAZUZA, E DIZER QUE A MÚSICA SERTANEJA DEFORMA A PERSONALIDADE DOS JOVENS.E, ISTO NÃO CUSTA CONTECER!!!!!!!!!!!SABE ESTA DONA ESTÁ, NO MÍNIMO, EQUIVOCADA, POIS A VIDA É MAIS QUE UMA CARTILHA DE COSTUMES PARA SE DECORAR. È EMOÇÃO, ADRENALINA, SORRISO, LÁGRIMA, ERROS, ACERTOS E MUITO MAIS. È UMA ETERNA CHANCE DE CRESCER, DE SER MAIS, DE SER MELHOR.



P.S. MAIS VALE UM IDIOTA DE CONSCIÊNCIA LIVRE MORTO, DO QUE UM ASNO CONTROLADO PELA VOZ DOS OUTROS VIVO.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Quando a Literatura invade a TV brasileira...


Muitos espectadores reclamam da qualidade das atuais produções televisivas nacionais. Embora não desliguem seus aparelhos de TV, as pessoas sentem carência de qualidade nas novelas das pricipais redes de Televisão do país.
Novelas recheadas de clichês, minisséries que começam bem mas se perdem no meio do caminho, séries de humor que não respeitam a dignidade humana e vivem de piadas preconceituosas...são algumas das reclamações que ouvimos em qualquer conversa informal.
Algumas belas produções já digficaram a programação brasileira. O Escritor gaúcho Érico Verissimo por exemplo, já teve sua obra mais apreciada pela crítica adaptada em forma de minissérie: "O Tempo e o Vento" foi uma produção do ano de 1985 e contou com um ótimo elenco, como Glória Pires no papel de Ana Terra e Tarcísio Meira dando vida ao Capitão Rodrigo. No ínicio da década de 80, o romance mais popular de Érico Verissimo havia ganhado espaço entre a programação noturna...a novela "Olhai os lírios do campo" era baseada na obra homônina do autor.
Na década de 90, precisamente em 1994, o romance recheado de realismo fanstástico "Incidente em Antares", também do escritor gaúcho, era transformado em minissérie de grande sucesso. Alguns ingredientes da obra genial colaboraram para isso, a originalidade foi um deles. Alguém já havia visto alguma coisa igual na TV? Um grupo de mortos que resolve infernizar a cidade e os parentes exigindo o direito de serem sepultados, mesmo com uma greve geral no local?
Agora, se um escritor pode se gabar de ser o mais "adaptado", este autor é o baiano Jorge Amado. "Tieta", "Dona Flor e seus dois maridos", "Teresa Batista cansada de guerra", "Grabriela cravo e canela", são alguns dos grandes sucessos nos quais suas obras de transformaram ao serem reproduzidas na TV.
O genial Machado de Assis também teve obras transportadas para TV. Em 2008, a série "Capitu" trazia o enredo de "Dom Casmurro" para a telinha.
Outra obra de Machado, o romance "Helena" ganhou adaptação em duas emissoras de TV.
O romântico José de Alencar teve sua obra "Senhora" adaptada há muitos anos em forma de telenovela, recentemente, sua triologia de perfis femininos (Senhora, Diva e Lucíola) ganharam adaptação no mesmo formato, como o título de "Essas Mulheres".
Joaquim Manuel de Macedo foi outro romântico que teve a obra levada às telas da TV; seu romance mais popular "A Moreninha" possuía todas as características que pertitiram sua adaptação em forma de telenovela na década de 70.
A telenovela "Fera Ferida" do ano de 1993, foi baseada em personagens e tramas de Lima Barreto, principalmente nos romances "Clara dos Anjos", "Recordações do escrivão Isaías Caminha", "Triste fim de Policarpo Quaresma" e "Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá" , al´me dos contos "Nova Califórnia" e "O Homem que Sabia Javanês". Outra característica importante era a presença de um personagem chamado Afonso Henriques, em homenagem ao escritor que tinha estes dois nomes. O personagem ficcional, assim como o real, sofria com o vício da bebida.
O romance "Grande Sertão Veredas" de Guimarães Rosa também ganhou vida na telinha em forma de minissérie, assim como outros romances de escritores nordestinos como "Riacho Doce" de José Lins do Rêgo e "Memorial de Maria Moura de Rachel de Queiroz. Este último sofreu duras críticas da autora, que reclamou da falta de fidelidade à obra original. Rachel de Queiroz chegou a afirmar em entrevistas que não conseguia encontrar seu romance naquela produção, pois apenas o título era fiel a saga de Maria Moura escrita por ela.
Nas décadas de 60 e 70, algumas TVs (muitas hoje já extintas), adaptaram para o público brasileiro obras estrangeiras, como "Os Irmãos Corsos" de Alexandre Dumas Pai, "O Morro dos Ventos Uivantes" de Emily Brontë, entre outros. Um caso muito conhecido é o do romance "A Cabana do Pai Tomás" de Harriet Beecher Stowe. Adaptado como novela entre os anos de 1969 e 1970, a produção gerou polêmica ao utilizar o ator Sérgio Cardoso pintado com tinta preta para protagonizar a telenovela como o escravo Tomás. A trama acabou se perdendo e hoje esta adaptação é lembrada como um grande desperdício, uma grande obra mal utilizada.
O português Eça de Queiroz também teve seu momento na TV brasileira, através das séries "O Primo Basílio" e "Os Maias", inspirados em suas obras homônimas.
Outro português que ganhou adaptação de seu romance em telas brasileiras foi Júlio Diniz. Seu romance mais popular "As Pupilas do Senhor Reitor" já teve várias adaptações, sendo a mais recente, do ano de 1994.
A grande riqueza de um país é a sua cultura. Adaptar obras grandiosas para a televisão, que é o veículo de comunicação mais popular no Brasil, é uma forma de popularização desta arte, embora a população deva ter consciência de que nada substitui a leitura dos livros originais. Os adaptadores também tem que ter respeito pelos autores dos romances e contos que vão adaptar, afinal de contas, a essência deve permanecer, mesmo que a ditadura da rapidez e do comérico televisivo peçam o contrário.


sábado, 17 de outubro de 2009

Jane Austen




A escritora inglesa Jane Austen, deu a Literatura de seu país clássicos atemporais, que encantam gerações.
A escritora era filha de um pastor anglicano e nasceu em 16 de Dezembro de 1775 em Hampshire, vivendo numa sociedade conservadora. Como grande observadora dos costumes cotidianos, a jovem Austen narrava estes costumes com uma aguda percepção psicológica e uma sutil ironia na forma de criticar os interesses sociais ligados as relações humanas.
Embora levasse uma vida discreta ao lado da família, biografias apontam o jovem Tom Lefroy como grande amor da vida de Jane e apesar das informações sobre a vida sentimental da escritora serem poucas, no filme "Amor e Inocência" (Becoming Jane), o romance é bem explorado, o que leva os fãs o classificarem o filme como "ficcional" demais.
A leitura de Jane Austen também já foi tema de uma produção cinematográfica, em "O clube de leitura de Jane Austen", Cinco mulheres e um homem fazem parte de um grupo de leitura dos livros de Jane Austen, através do qual passam a aceitar melhor as mudanças ocorridas em suas vidas. Outros filmes, como "A casa do lago", citam obras da escritora.
Embora seus livros tratassem das peripécias amorosas de damas e cavalheiros em busca do par perfeito, Jane permaneceu solteira, até sua morte, que ocorreu no dia 18 de julho de 1817. Os sintomas da doença que tiraria sua vida começaram em 1815. Dores nas costas, cansaço, fraqueza, davam sinais do mal de Addison, doença pouco conhecida na época, que tornou Jane cada vez mais fraca. Biógrafos afirmam que quando morreu, a escritora estava paraplégica há algum tempo.




Da obra de Jane Austen destacam-se:


* A abadia de Northanger.


* Emma.


* Mansfield Park.


* Orgulho e Preconceito (seu romance mais popular).


* Razão e Sensibilidade.


*Persuasão.


Além de muitos outros.


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A Pequena Sereia - Hans Christian Andersen


Quando li pela primeira vez, "A Pequena Sereia" do dinamarquês Hans Christian Andersen, confesso que esperava outra coisa. A imagem da sereiazinha Ariel, criada pela Disney, povoava minha mente de criança aos dez anos. O que eu encontrei foi uma estória que até então, eu não entendia. A estória de um amor intenso, impossível, de doação, de martírio...A sereia, um ser marítimo, famosa pela bela voz e pelos sedutores cabelos...características que encantam os marinheiros, que se apaixonam e deixam-se levar pelas criaturas do oceano; se apaixona por um humano e no ardor da sua paixão, aceita vender sua maior dádiva, sua bela voz, para uma bruxa, a troca de ter as tão necessárias pernas, que a levariam ao encontro do seu grande amor. Além de perder sua voz, a sereia precisaria conquistar e casar-se com seu grande amor, caso contrário, transformaria-se em espumas ao mar, já que abrira mão de sua imortalidade e as sereias não têm alma, por isso, não podem morrer. Ela sofreria também, ao caminhar, a dor de facas penetrando seus pés. Estes sofrimentos impostos, não levaram a sereia apaixonada a desfazer seu plano de viver um grande amor.
Falhando em seu plano, já que o amado ficou noivo de outra, a sereia estava condenada a um destino cruel, que se consolidaria numa viagem de navio que ela fazia junto com outros convidados para o casamento do jovem com sua noiva humana. As irmãs da sereia procuram a bruxa e buscam uma saída para a irmã: elas dariam seus cabelos em troca de um punhal com o qual a sereia apaixonada deveria matar seu amdo antes do casamento, livrando-se assim, dos martírios que lhe estavam destinados.
Como o amor pelo jovem humano, falava mais alto em seu coração que o amor pela vida, a pequena sereia deixa que os noivos se casem e cumprindo sua sina, se transforma em espumas ao mar.
Uma estória macabra (errôneamente classificada como conto de fada), sobre um amor que levou a bela voz do mar a se calar e a dar a vida pelo homem amado, mesmo que ele não lhe pertencesse.




sábado, 10 de outubro de 2009

Conto - A Literatura rápida e de boa qualidade


O conto é uma forma literária muito antiga, bem anterior ao romance, que só foi definido após a Revolução Francesa, o conto já era um estilo conhecido. Um bom exemplo são os contos de Fada, os Irmãos Grimm e Charles Perrault trouxeram ao público estórias tradicionais européias, contadas por pessoas simples. Não fosse este feito dos Irmãos Grimm e de Perrault, muitas destas estórias teriam morrido junto com aquelas gerações.
No século XIX, o norte-americano Edgar Allan Poe deu nova vida ao conto de terror e contribuiu para a formação do conto policial. Antes de Poe, a Literatura de terror era constituída por romances fantasmagóricos, cercados de lugares assombrados, almas de outro mundo e figuras bizarras. Coube a Poe restaurar este estilo, com estórias que exploram a figura humana degradada psicológicamente. O pesonagem do Detetive Dupin, criado por Poe nos "Crimes da Rua Morgue" inspirou a criação do mais famoso e popular detetive da cultura mundial, Sherlock Holmes, pelo escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle.
No Brasil, o século XIX também foi própero no gênero do conto, pois neste período surgiu um dos maiores contistas da Literatura escrita em língua portuguesa: Machado de Assis (também mestre do romance). Machado de Assis soube dar vigor ao conto, enquanto na Literatura Brasileira o romance e a poesia prevaleciam; muitos de seus contos tornaram-se populares e apreciados pela crítica.
No século XX e XXI, o conto é visto por muitos críticos como a Literatura contemporânea por excelência, por proporcionar ao leitor uma leitura rápida que combina com os tempos modernos e a velocidade tecnológica a qual a sociedade obedece.
Mas um gênero não dispensa o outro, mesmo que os tempos mudem e a sociedade se transforme. A chegada do romance não anulou a poesia. O sucesso do conto não vai anular o romance. O conto e o romance são diferentes e sua diferença não se resume a questões de extensão. A linguagem do conto é condensada e ó enredo apresenta dramas únicos, com poucos personagens e geralmente um desfecho trabalhado, um "fechar com chave de ouro". O romance, por sua vez, apresenta no enredo tramas paralelas vividas por personagens secundários, enquanto o protagonista e antagonista vivem suas estórias.
Certas vezes, os personagens secundários são construídos de uma forma tão magnífica que ganham destaque e análise cuidadosa. É o caso do romance "Ana Karênina" de Leon Tolstói, no qual o personagem Liêvin vive um enredo a parte do desenrolar da trama principal, da adúltera Ana. Liêvin é uma opção de análise, pois é um personagem intenso, um homem do campo que não se adapta as grandes metrópoles da época, isso faz com que viva isolado em sua fazenda, com seu ciúme e sua paixão pela jovem Kitty, enquanto Ana Karênina vive seus dramas sentimentais e de consciência.
De qualquer forma, conto e romance sempre serão dois gêneros essenciais para a Literatura, pois, condensam em si, todos os encantos da narrativa.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Personagens Apaixonantes


Quando eu li "A Escrava Isaura" eu fiquei pensando no Álvaro muitos dias. Como a Isaura era abençoada por ter um homem íntegro e belo daqueles ao seu lado, lutando por ela e amando-a acima de tudo! Mas quando eu aprendi sobre Teoria da Literatura que aqueles cavalheiros eram fruto da idealização romântica e provavelmente nunca existiram, eu me senti desapontada. Comecei então, a notar que os personagens não precisavam da perfeição para tornarem-se apaixonantes.
Por isso, quando lemos "O Morro dos Ventos Uivantes", nos sentimos atrídos por Heathcliff, um homem rude, nada idealizado, que cresceu como as plantas no campo, sem educação ou princípios. Catherine, por sua vez, é uma geniosa inglesa que ama Heathcliff mas não tem coragem de assumí-lo perante a sociedade. Apesar do seu temperamento difícil, não há como deixar de apreciar a construção desta personagem.
E muitos outros vieram e virão... Mr. Rochester, Mr. Darcy, Capitão Rodrigo, Capitu, Ana Terra...
Para evocar os sentimentos do leitor e acordá-lo das suas distrações diárias, um personagem não precisa ser moralmente correto, ele precisa ser intenso e isso é o que grandes autores conseguem através de suas construções abilidosas.
Machado de Assis cria um romance clássico com um casal que será lembrado para sempre: A sedutora e misteriosa Capitu e o mimado e amargurado Bentinho. Uma mulher que sobreviveu a todos os clichês possíveis e se estabeleceu como símbolo da sedução, pois deixar uma sociedade machista e conservadora como a do século XIX em dúvida sobre uma possível traição, atraídos pelos olhos de ressaca de uma moça desde cedo descrita como dissimulada não é pra qualquer uma não!
E o que dizer do Capitão Rodrigo da saga "O Tempo e o Vento" de Érico Verissimo? Mulherengo, amante da guerra e dos prazeres de cama e mesa, ele provoca no leitor sentimentos contraditórios; raiva do seu comportamento rebelde e pouco ortodoxo que faz sofrer sua esposa Bibiana, compaixão, por um homem que vê a guerra como simples diversão e acaba sendo vítima dela própria.
Ana Terra, que vem do mesmo romance que o Capitão Rodrigo, vindo a ser a avó de sua esposa, é símbolo da luta e da força feminina, quando se entrega a um bugre empregado de seu pai, quando luta pela família mesmo depois de violentada por muitos inimigos de guerra, quando encara a realidade e vai embora de sua terra destruída para um vilarejo que ainda estava nascendo, quando mata o índio que oferecia perigo à seu amado filho...
São só alguns exemplos de que para entrar para a história da Literatura de qualquer cultura, um personagem pode afrontar a moral, viver situações inusitadas...ou não. Basta que ele seja construído de forma intensa, e quando consegue esta proeza, o bom escritor é facilmente indentificado quando colocado em comparação com um escritor vazio, que faz com que a leitura de seus romances seja mero passa tempo, pois seus personagens não seduzem o leitor para morar por muito tempo em sua imaginação.

sábado, 3 de outubro de 2009

AQUELES DOIS - Caio Fernando Abreu


O conto "Aqueles Dois" é subjetivo do início ao fim. Sem levantar bandeiras, Caio Fernando Abreu conta uma estória que sintetiza o verdadeiro significado da palavra Preconceito, um conceito que as pessoas adquirem antes de conhecer alguém ou alguma coisa, antes de entenderem uma situação.
Os nomes dos personagens são semelhantes: Raul e Saul. Um Loiro o outro moreno. Um com Trinta e um anos o outro com vinte e nove. Um do Sul o outro do Norte. Os dois passaram no mesmo concurso, mas não se encontraram durante as provas.
Ao chegar na repartição pública, um prédio desprovido de vida, que mais parecia um hospital, com pessoas nada interessantes, que na maioria das vezes, trabalha sem nenhum objetivo maior do que receber seu salário no fim do mês. Entre estes "fantasmas" encontram-se dois homens com experiências parecidas: um acaba de sair de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. O outro, acaba de sair de um noivado eterno, tão eterno que um dia acabou.
Logo, mesmo entre a timidez do desconhecido, Raul e Saul começam uma amizade terna e subjetiva. Aos poucos, eles se tornam necessários um para o outro, mesmo que tentem esconder isso de si próprios, andando de um lado para o outro enquanto esperam uma notícia do amigo.
As músicas que ouvem, os presentes que trocam, a falta que um sente do outro, a companhia que se torna uma necessidade...tudo isso prococa risos desfarçados das moças da repartição pública.
Quando num dia os dois se atrasam para o serviço e chegam com os cabelos molhados, a situação se transforma. Agora não eram só indícios. Para os demais funcionários era uma prova.
Ao demitir Raul e Saul para manter a "moral" daquele prédio sem vida, o chefe colabora para que o ar fantasmagórico predomine no local, pois, quando aqueles dois saem juntos e vão embora no mesmo táxi, os demais funcionários entendem que seriam infelizes para sempre, deixando para o leitor a missão de interpretar se Raul e Saul teriam o mesmo destino deles ou não.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Orgulho e Preconceito - Jane Austen


Jane Austen tem uma característica muito particular. Através de romances com temas considerados simples, ela constrói um retrato da sociedade inglesa do final do século XVIII e meados do século XIX. Jane não toma partido desuas heroínas, deixa para o leitor a tarefa de julgar se elas são fúteis ou apenas vítimas de uma época na qual a mulher não tinha muitas escolhas, além de conseguir um bom casamento que lhe garanta um futuro tranquilo.
Seu romance mais popular é, com certeza, "Orgulho e Preconceito", citado em inúmeros filmes românticos. O romance deixa as mulheres a espera do seu Mr. Darcy e os homens a procura de uma Lizzy Bennet.
A família Bennet não teve a sorte de ter um herdeiro, por isso, segundo o costume da época, um sobrinho de Mr. Bennet herdaria a propriedade única da família quando o tio partisse. A Senhora Bennet tem consciência de que suas cinco filhas e ela mesma ficarão abandonadas a prórpia sorte quando seu marido falecer, portanto, resume sua vida num único propósito: arranjar casamentos para as cinco jovens Bennet. A mais velha é a doce e compreensiva Jane, a segunda é a forte e segura de si Elisabeth, ou Lizzy como queiram. A terceira é a despreocupada e musical Mary, a quarta é a fútil Catherine, que por sua vez, tem como mentora a mais jovem das irmãs, a espevitada Lydia.
Com a vinda dos Senhores Bingley e Darcy para o remoto povoado, as famílias ficam todas eufóricas, já que os dois jovens são ricos herdeiros, o que os torna bons partidos para a maioria das moças da região, pobres camponesas sem dote.
"Orgulho e Preconceito" são os sentimentos que povoam os corações do casal protagonista, Mr. Darcy e Elisabeth Bennet. Ele, orgulhoso jovem rico que não se sente a vontade por amar uma jovem pobre e inferior à sua classe. Ela, preconceituosa graças a imagem criada na sua mente depois do primeiro baile, no qual Mr. Darcy recusa-se a dançar com as jovens da região.
Depois de muitos desentendimentos, o romance tem um desfecho feliz. Mr. Darcy e Lizzy conseguem vencer seu orgulho e seu preconceito e aceitam cultivar dentro de si um amor compreensivo que apaga qualquer mancha do passado.
Mr. Darcy é um personagem muito bem construído, um anti-herói que com sua personalidade forte e sua originalidade conquista os leitores, que mesmo assistindo a atitudes não muito simpáticas da sua parte no início do romance, confiam no caráter do jovem inglês, que embora não tenha nenhum título nobre, termina o romance com ares de Lord, que até nos dias atuais, encanta as mocinhas que sonham com o homem perfeito.

domingo, 13 de setembro de 2009

Uma Paixão no Deserto - Honoré de Balzac


O grande romancista francês Honoré de Balzac escreveu um livro de contos chamado "Uma Paixão no Deserto". Neste livro há um conto homônimo muito interessante e inovador.
Um fuzilheiro francês que estava sequestrado e consegue fugir, caminha pelo deserto solitário...procurando um lugar para dormir, acomoda-se numa gruta onde é supreendido por uma pantera negra. Deseperado com o perigo eminente, o solitário caminhante tenta agradar o animal com carinhos, para se livrar da morte.
A pantera fica seduzida pelas carícias dele e daquele dia en diante, passa a ser sua companheira de viagem, dormindo ao seu lado e dividindo momentos com ele.
Longas noites passam e o caminhante sempre abraçado à fera do deserto, sentindo o pulsar de seus corações próximos e temendo que um dia o instinto assassino do animal superasse a "paixão" que ela parecia sentir por ele.
Aos poucos, ele cria uma confiança na pantera e esta confiança não lhe permite mais ter receios sobre sua segurança ao lado da companheira.
Uma noite, porém, ao acordar de um sono pesado, o rapaz sente que a fera está se mexendo ao seu lado.
Assustado, ele toma uma atitude drástica matando a pantera com um punhal. Depois deste acontecimento, o caminhante se entristece e não consegue esquecer aquela que fora um dia, sua paixão no deserto.
Uma estória diferente que, contada com muita delicadeza, faz com que o leitor se envolva e se emocione com a relação de fidelidade e cumpricidade entre humano e animal.

A Viuvinha - José de Alencar


José de Alencar foi um mestre do Romanstismo brasileiro. Escreveu romances de todos os tipos: Indianistas, sertanistas, urbanos, de transição...as vezes com uma pitada de tímido Realismo, como nos perfis femininos de "Senhora", "Diva" e "Lucíola", outras com um Romantismo puro e tradicinal. Este é o caso do romance "A Viuvinha",um tradicioal folhetim do século XIX.
Um novio chamado Jorge vê sua vida vê sua vida transformar-se num inferno um dia antes do casamento. A vida desregrada antes de conhecer a doce Carolina, o fez contrair dívidas que fariam vergonha à esposa. Desesperado, o noivo sabe que não pode abandonar sua amada, pois, se caso o fizesse, ela ficaria ainda mais desgraçada. Ele resolve suicidar-se antes da lua-de-mel para livrar a esposa de um destino cruel ao seu lado.
Na noite de núpcias, ele oferece à jovem esposa uma taça de vinho que a faz adormecer enquanto ele foge e dirige-se a um precipício. Chegando lá, ele presencia o suicídio de um rapaz e não tem tempo para fazer nada para evitar.
Jorge resolve não se matar e adota o nome de Carlos para começar e novo e conseguir saldar suas dívidas e sua honra.
Como o jovem suicida ficara com o rosto deformado, todos o identificam como Jorge e Carolina, cheia de tristeza, envonve-se num vestido preto e passa a ser conhecida como a Viuvinha.
Passados cinco anos, Jorge, agora chamado Carlos, consegue o dinheiro que lhe restituirá a dignidade. Ele vai até a janela de sua amada e zela por ela por muitas noites. Se identificando como Carlos e sem nunca mostrar o rosto, o apaixonado marido conquista o coração de Carolina novamente, mas ela não consegue entregar-se a esse amor, pois ainda está presa a memória do "falecido" esposo.
Quando Jorge se identifica como seu marido, Carolina tem uma grande surpresa, assim como sua mãe, que acredita que a filha ficou louca quando ela lhe diz que está no quarto com o marido.
O desfecho do romance é feliz. Jorge recupera sua honra e pode enfim viver ao lado da sua sempre fiel e amada Carolina. É ou não é uma típica estória de amor?

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A minha vida é um barco abandonado - Fernando Pessoa


O mar está sempre presente na Literatura. Aqui, Fernado Pessoa chora seu barco abandonado neste mar...



A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?


Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.


Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.


Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.

Casamento - Adélia Prado


Já ouvi falar muito em casamento na minha vida, mas esta visão de Adélia Prado é muito original:



Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.



O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.

sábado, 5 de setembro de 2009

O Retrato Oval - Edgar Allan Poe


Edgar Allan Poe é conhecido como o pai de um estilo diferente; a Literatura de horror psicológico, que não se vale de lugares e clichês assustadores, mas sim, de pessoas perturbadas em lugares normais. O conto "O retrato Oval" é uma exceção a esta regra. A estória se passa num castelo medieval abandonado, no qual um jovem senhor é obrigado a passar a noite acompanhado apenas de seu criado devido a condições do tempo.
Deitado no quarto assustador, ele se impressiona com um retrato de mulher, que tem uns olhos muito vivos. O jovem encontra um escrito contando a estória do quadro.
Naquele castelo, há muitos anos, vivia um casal muito apaixonado, um marido que amava depois a jovem e bela esposa. havia porém, algo que ele amava mais do que ela: a arte. O pintor passava horas com seus quadros, fazendo seus trabalhos e adorando a própria arte; isso deixou a esposa com ciúmes, pois ela entendia que a pintura era uma rival pior do que qualuqer outra mulher seria.
Cansada de perder espaço no coração do marido para a arte da pintura, a jovem esposa resolve oferecer-se como modelo para um de seus quadros. Ela pensava que desta forma iria ter todas as atenções voltadas para si.
Perfeccionista que era com seu trabalho, o marido pintor desejava que o retrato da esposa fosse a obra perfeita e por isso, procurou o melhor lugar e a melhor luz para sua modelo tão amada. Havia numa região do castelo uma fenda no teto, que traria uma ótima luz para a pintura; este foi o local escolhido para o trabalho.
A bela jovem permaneceu durante meses por horas e mais horas naquele lugar, enquanto o marido transferia para o quadro feições de seu rosto. O que ele não notava, entretido no seu trabalho, era que por aquela fenda, além de luz, entrava também ar frio e a esposa ficava a cada dia mais doente.
O amor pela pintura e pela confecção do retrato perfeito era tão grande que não permitia ao artista notar que a cada dia sua esposa definhava vítima de uma doença em consequência do frio que entrava pelo mesmo lugar de onde vinha a luz perfeita.
Chegou o tão esperado dia. O trabalho de muito tempo teria a graça de ser admirado tanto pela modelo quando pelo pintor. Enquanto finalizava seu quadro, o marido não tinha olhos para mais nada. Quando deu a última pincelada, ele voltou suas atenções para a esposa que estava caída morta, vencida pela moléstia que a acometera.
Poe utiliza neste conto uma característica psicológica no pintor que é comum a muitos outros personagens seus: a Obsessão. Obcecado pela arte, o artista a coloca acima de tudo, até mesmo daquele que é considerado pela humanidade o maior de todos os sentimentos: O Amor.
Esta é a diferença entre Edgar Allan Poe e outros escritores do terror. Ele consegue utilizar-se de clichês e ser original, não abandonado assim, a marca registrada em suas obras, que é o horror psicológico.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Comparando romances

É muito comum lermos um romance e termos uma impressão de "Já li alguma coisa parecida". As temáticas semelhantes, muitas vezes aproximam romances e fazem com que o leitor de um, tenha curiosidade quanto ao segundo.
"O último dos Moicanos" de James Fenimore Cooper foi publicado em 1826, tem como protagonista um valente e íntegro índio, último representante da sua tribo nos Estados Unidos. No Brasil, no ano de 1857, José de Alencar publica "O Guarani" que colocou na história da Literatura o mais europeizado índio dos romances brasileiros: Peri. Os dois romances são comparados pela temática parecida, a relação dos índios e brancos nos países colonizados, além dos protagonistas serem perfeitos heróis da pátria. Esta situação se explica pelo fato dos EUA assim como o Brasil estarem localizados no continente americano, não tendo portanto, um passado mediaval. Sem passado medieval, não existe o herói medieval, tão em voga no Romantismo europeu. O índio tomava então, traços europeizados e se transformava no "Bom selvagem".
Outros dois romances que podem ser aproximados são "A Dama das Camélias" do francês Alexandre Dumas Filho, e "Lucíola" do brasileiro José de Alencar. duas prostitutas se apaixonam por homens dignos, mas sem grande fortuna. O fim para elas não poderia ser outro; elas se sentem indignas de um amor estável e honesto e adoentadas, morrem, deixando aos seus amados somente a lembrança dos bons tempos passados juntos. O romance de Dumas Filho conta sua estória, seu envonvimento amoroso com uma cortesão francesa do século XIX. Já "Lucíola" faz parte da tríade completada por "Diva" e "Senhora", romances nos quais José de Alencar traçou os "perfis" das mulheres daquela época, fortes e decididas criaturas que só o amor conseguia vencer.
Eça de Queiróz foi por vezes acusado de beber na fonte de outros romances. Para Machado de Assis, o romance "Primo Basílio" seria uma cópia de "Eugenia Grandet" do francês Honoré de Balzac. Podemos comparar o romance "Primo Basílio" com "Madame Bovary" de Gustav Flaubert. Fugindo das polêmicas sobre plágio, podemos afirmar que os romances do português Eça têm uma inspiração nos franceses citados e também, algumas características muito particulares no enredo.
Um caso muito conhecido de romances tão próximos que deixavam viva a ideia de plágio é o de "Rebecca" da inglesa Daphne du Maurier lançado no ano de 1938 , e "A Sucessora" da brasileira Carolina Nabuco, lançado no ano de 1934. Carolina Nabuco sempre afirmou que ao encrever seu best-seller, Daphne tinha conhecimento do enredo de "A Sucessora" tendo lido um exemplar. O tema da segunda esposa sempre foi recorrente na Literatura mundial, estando presente em "Encarnação" de José de Alencar, "Jane Eyre" de Charlotte Brontë, "A dama dos rubis", de Eugenia Marlitt, "A intrusa", de Júlia Lopes...o enredo dos romances de Carolina Nabuco e Daphne du Maurier são mesmo muito parecidos. Duas mulheres jovens casam-se repentinamente com um viúvo mais velho e são atormentadas pela lembrança sempre presente da esposa falecida.
É muito difícil definir um plágio, a linha sutil que separa a inspiração e a cópia é mal compreendida em determinadas situações. Há temáticas universair que sempre estarão em uso e também há temas que em determinada época atendem as inspirações dos autores.
Ao escrever um poema, conto ou poesia, o autor estabelece uma relação com tudo que já conheceu em tremos de Literatura e isso deu origem a uma disciplina chamada "Literatura Comparada."

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Jane Eyre - Charlotte Brontë


O romance da mais velha das Irmãs Brontë é dramático, intenso e apaixonante. Tecido na mesma oficina rude que "O Morro dos Ventos Uivantes", "Jane Eyre" é também um romance diferente e sem classificação.
A jovem orfã Jane Eyre vive na casa da Tia que a odeia, além de ter que aguentar as surras do primo e as humilhações das primas. Aos dez anos, depois que vê a situação se tornar insuportável, a tia de Jane, Senhora Reed, concorda em mandá-la para um colégio, na verdade, um asilo para órfãs.
Depois de passar seis anos como aluna e dois como professora, Jane Eyre resolve procurar outros caminhos e coloca um anúncio no jornal se oferecendo como governanta e preceptora de crianças. Ela é contratada para trabalhar numa propriedade distante chamada Thornfield Hall e logo ela descobre que seria a preceptora da pequena Adèle, garota francesa protegida do dono da casa que estava ausente.
Numa noite em que Jane sai para caminhar, ela encontra-se com seu patrão e o salva de uma queda de cavalo.
A proximidade que surge entre os dois é intensa e Mr. Rochester pede jane em casamento. No dia das bodas, a surpresa: Rochester mantinha num quarto da propriedade sua esposa louca, que se chamava Bertha.
O século XIX foi um século puritano na Inglaterra Vitoriana. Os costumes eram levados a sério e para muitos, "Jane Eyre" era um romance forte, com um tema polêmico...isso porque eles não sabiam que era escrito por uma mulher. As três irmãs escritoras, sabendo da dureza e do preconceito da crítica quanto a seu sexo, usavam pseudônimos masculinos para publicarem seus livros.
Os personagens masculinos das irmãs Charlotte e Emily Brontë assemelhan-se em certos pontos. Fisicamente temos um Heathcliff fora dos padrões de beleza: moreno, de traços duros. Mr. Rochester, embora pertente de uma alta linhagem inglesa, tinha traços endurecidos.
Os dois amaram intensamente e, para viver este amor, foram além do que a sociedade permite. Mr. Rochester propõe um falso casamento à Jane, tendo como objetivo manter a existência da esposa louca em segredo, mesmo com as duas vivendo na mesma casa!
Muitos afirmam este romance ser a biografia de Charlotte. As Irmãs Brontë, assim como suas personagens, precisavam trabalhar e viver a custa do seu suor. Por isso talvez, suas obras foram mal compreendidas naquela época.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Felicidade não se compra - Frank Capra




"A felicidade não se compra" é uma fábula natalina do italiano Frank Capra que sobreviveu ao passar dos anos e ao cinema moderno. Baseado no conceito do autor de que um único homem tem uma grande importância para o mundo, Capra apresenta a estória de um bom e generoso homem chamado George Bailey, interpretado pelo brilhante James Stewart. Na noite de Natal, George se vê cercado de dívidas que o levarão pra a cadeia e rsolve se suicidar. Como muitas pessoas que o amam rezam e pedem por ele, São José anuncia à Deus que ele precisa de ajuda e para isso, eles mandam à Terra um anjo de segunda classe, conhecido assim por ainda não possuir asas. O nome do anjo era Clarence e ele recebeu a promessa de ganhar finalmente as asas que esperava há duzentos anos, se conseguisse salvar a vida de george Bailey.
Deus conta para Clarence a estória de vida de George, desde sua infância quando salvou a vida do seu irmão Harry e por este ato heróico perdeu a audição de um dos ouvidos; até seu casamento com Mary, o nascimento de seus quatro filhos e sua luta para manter viva a firma pela qual seu pai tanto lutou. Através da firma, ele ajudou muitas pessoas pobres a construírem suas casas, formando um bairro na cidade e tirando od pobres do aluguel cobrado pelo homem mais poderoso da cidade: Mr. Potter.
Quando está para pular de uma ponte e se afogar, Clarence se joga em seu lugar, obrigando-o a salvá-lo. George diz á Clarence que o mundo seria melhor se ele não tivesse nascido e seu pedido é atendido, ele tem o direito de saber como seria o mundo e a vida das pessoas que ele conhecia caso ele não existisse.
Ele descobre que se não existisse, a vida de muitas pessoas seria alterada. Seu irmão teria morrido, sua esposa seria uma triste e amargurada solteirona, sua mãe seria um velha pensionista triste e a cidade seria domindada pelo poderoso Potter.
Quando volta a "existir" e vai até sua casa, ele descobre que todos os seus amigos resolveram ajudá-lo e suas dívidas estão pagas. george percebe que a verdadeira felicidade e a verdadeira riqueza não são os bens que juntamos, mas sim, os amigos que conquistamos.
Segundo Clarence, toda a vez que um sino toca é um anjo que ganha asas. george fica feliz quando percebe o pequeno sino da árvore de Natal tocando, pois sabe que seu anjo da guarda acabava de ganhar suas tão desejadas asas.
É uma bela fábula que encanta todas as gerações desde que foi lançada no ano de 1946.

domingo, 30 de agosto de 2009

Pássaros Feridos - Colleen McCullough



O romance da australiana Colleen McCullough foi lançado no ano de 1977 e na década de 80 ficou popular devido a uma adaptação para a TV. A adaptação obteve grande sucesso, e atingiu grandes índices de audiência.
O enredo é a estória de uma vida triste, a vida de Meggie Cleary. Acompanhamos a pequena Meggie desde a sua infãncia na Nova Zelândia, quando ela vivia as atribulações de frequentar um escola que só lhe trazia sofrimento. Os pais de Meggie, Paddy e Fiona Cleary, vivem uma situação a parte. A mãe era uma rica herdeira, que por se envolver com um homem casado e ter um filho dele, é obrigada a se casar com um pobre imigrante irlandês empregado da sua casa. fiona sempre amou o filho que teve com seu grande amor mais do que os outros esua indiferença para com a vida e a família deixaram marcas na personalidade dos filhos.
Ao mudarem-se para a Austrália, para cuidar da fazenda Drogheda da irmã de Paddy, a vida da família sofre várias mudanças. Eles conhecem o jovem padre irlandês Ralph de Bricassart , que desde o início, desenvolve uma relação de profunda amizade com Meggie, que agora conta com dez anos de idade.
A família Cleary é cercada por tragédias: A morte do pai e de um dos irmãos num incêndio na fazenda, a fuga do irmão mais velho quando descobre não ser filho legítimo de Paddy...Meggie se sente só e procura refúgio nos braços do Padre Ralph, que a repele e vai morar no Vaticano, tendo como missão cuidar dos bens da tia de Meggie que falecera.
Meggie resolve se casar com um trabalhador da fazenda, chamado Luke; um homem rústico que desde o início deixa claro não ter muitos sentimentos pela esposa. Ela é levada pelo marido ao outro lado do país, e enquanto o marido trabalho no corte de cana, ela é obrigada a trabalhar numa casa de família.
A situação fica cada vez mais difícil para ela. Quando Meggie engravida, Luke não recebe a notícia muito bem e fica totalmente ausente durante os nove meses de gestação. Depois de um parto complicado, ela dá a luz a Justine. os patrões resolvem dar a Meggie uma viagem à uma ilha paradisíaca para que ela se restebeleça dos sofrimentos que passou, e nesta ilha, ela recebe a visita do então Bispo Ralph de Bricassart. Nos dias que passam juntos, eles consumam o amor que a muito tempo sentiam, mas a jovem se decepciona ao perceber que Ralph não pretende abandonar a vida religiosa por ela.
Depois da separação, Meggie percebe que está grávida e desta vez, o filho é do seu grande amor. Ela decide separar-se do marido, que por sua vez acredita que o filho que ela espera é dele. Voltando a Drogheda, ela dá a luz à Dane, um menino bonito como o pai, que logo conseguiu consquistar o coração da mãe sem deixar muito espaço para a pequena Justine.
Os anos passam e os amantes não se reencontram. Justine agora é uma moça a frente do seu tempo, cheia de conceitos próprios e amor pelo irmão. Dane se torna um jovem atlético e bonito, de uma bondade expressiva. Depois de uma nova visita do Padre Ralph (agora já marcado pelo tempo), o jovem resolve abraçar a religião e se ordenar padre. Meggie não se conforma, era como se Deus lhe tirasse além do seu grande amor, seu filho mais querido.
Dane vai para o seminário e Justine viaja para Londres, para trabalhar como atriz de teatro. Lá, ela conhece o alemão Rainer, que se torna seu melhor amigo na cidade.
Com a ordenação de Dane, Rainer se declara apaixonado por Justine, mas a jovem não estava acostumada a ser amada e repele o pretendente. Quando resolve aceitá-lo, uma tragédia acontece: seu irmão recém-formado padre vai até a Grécia para uma viagem de férias. Ao tentar salvar uma jovem, ele acaba morrendo e isto deixa Justine com muito remorso por não ter viajado com ele para ficar com Rainer.
Meggie sente necessidade de contar a verdade sobre a paternidade ao padre Ralph, para que ele a ajude a transportar o corpo de Dane da Grécia para Drogheda.
A emoção é muito forte e Ralph não suporta. Ele falece no dia do enterro do filho.
Meggie, depois de todo o sofrimento, descobre que agiu errado amando um filho mais do que outro e procura aconselhar Justine a aceitar o amor de Rainer. Em todo o romance, é a única estória de amor que tem um desfecho feliz.
O desfecho de Meggie é melancólico. Sem o homem e o filho que tanto amava, ela se torna uma matriarca de Drogheda e entende que não pode culpar ninguém por suas próprias escolhas.
Colleen McCullough escreveu seu romance baseado numa lenda acerca de um pássaro Celta:

"Existe uma lenda acerca de um pássaro que canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro-alvar e só descansa quando o encontra. Depois, contando entre os galhos, selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e despende um canto mais belo que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro para para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento...Pelo menos é o que diz a lenda."